Em Alegrete, onde o horizonte se estende por campos abertos e o tempo parece seguir o ritmo da natureza, surge uma artista que transforma o cotidiano em arte. Aos 35 anos, Camila de Medeiros Fantinel constrói uma trajetória marcada por sensibilidade, identidade e profundidade, revelando, por meio da fotografia, a essência do Pampa gaúcho.
Filha de Paulo Fantinel e Cibele Arámburu de Medeiros, Camila cresceu entre o campo e a cidade. Essa dualidade, longe de ser contraste, tornou-se a base de sua percepção estética. Advogada por formação, encontrou na fotografia uma forma de expressão que vai além do registro visual - é, antes de tudo, um exercício de olhar.
Nas rotinas de campo aprendi a exercitar meu olhar, define.
E é justamente esse olhar que a diferencia. Suas imagens não se limitam ao tradicionalismo, embora dialoguem com ele. Camila vai além: captura o invisível que habita o simples, revelando a profundidade de cenas rurais que, à primeira vista, poderiam passar despercebidas.
Sua fotografia é silêncio. É pausa. É sentimento.
Reconhecimento que ultrapassa fronteiras
O talento de Camila não tardou a ganhar projeção. Sua trajetória recente é marcada por conquistas expressivas em cenários nacionais e internacionais, consolidando seu nome entre os grandes olhares contemporâneos da fotografia.
No concurso Olhares sobre o Pampa, conquistou o 2º lugar em dois anos consecutivos (2024 e 2025), reafirmando sua conexão autêntica com o território que retrata.
Em 2024, recebeu menção honrosa no Brasília Photo Show, considerado o maior festival de fotografia da América Latina - reconhecimento que ampliou significativamente o alcance de seu trabalho.
O reconhecimento internacional veio logo em seguida. Em 2025, participou do MonFest Festival, em Casale Monferrato, e também integrou o Festival de Fotografia de São Paulo, dois importantes espaços de difusão da fotografia contemporânea.
Seu ensaio “Retratos de uma pátria pampa” recebeu menção honrosa no Salão Nacional de Arte Fotográfica do Fotoclube de Londrina, reforçando a potência narrativa de sua obra.
Ainda em 2025, conquistou destaque no Black & White International Photography Awards, com direito à exposição de uma de suas fotografias em Paris, durante as celebrações do bicentenário da fotografia - um marco histórico para qualquer artista da imagem.
Coroando essa trajetória ascendente, Camila foi finalista do Sony World Photography Awards em 2026, uma das premiações mais prestigiadas do mundo, promovida pela World Photography Organisation.
O Pampa como identidade e linguagem
Mais do que fotografar paisagens, Camila constrói narrativas. Seu trabalho ressignifica o Pampa - não como cenário, mas como personagem vivo. Há humanidade em cada imagem. Há memória. Há pertencimento.
Em tempos de velocidade e excesso de informação, sua obra convida à contemplação. É um retorno ao essencial.
“Retratos de pampa”: a arte em exposição
Atualmente, a fotógrafa apresenta sua primeira exposição individual, intitulada “Retratos de pampa”, em Porto Alegre.
A mostra está em cartaz na Galeria Carlinhos Rodrigues, localizada na tradicional Confeitaria Maomé.
A exposição reúne obras que sintetizam sua trajetória e seu olhar - um convite para que o público mergulhe na essência do campo por meio de imagens que falam sem precisar de palavras.
Camila Fantinel é, hoje, mais do que uma fotógrafa.
É uma intérprete do Pampa.
Seu trabalho não apenas registra - ele revela, emociona e eterniza.